


Mundo Aflora
Modelos de negócio sociais para mulheres trans
Lógica de funcionamento e possibilidades de desenvolvimento
O projeto propõe ampliar a autonomia econômica e o acesso a cuidado de mulheres trans, por meio de serviços vendidos a empresas, conexão com oportunidades de trabalho, comercialização de produtos e criações autorais.
O mercado inicial considerado é a cidade de São Paulo, como hipótese para o primeiro piloto.
Este modelo apresenta como as frentes podem funcionar e se financiar. Preços, metas financeiras, percentuais de reinvestimento e projeções serão definidos após a validação das ofertas e da operação.
Proposta de valor
Criar condições para mulheres trans escolherem, construírem e sustentarem a vida que desejam. Empresas e consumidores participam comprando trabalho, conhecimento e criação; parte dos resultados do negócio é reinvestida em gerar acolhimento, reinserção social, ampliação de oportunidades e acesso a cuidado.
| PARA QUEM | VALOR GERADO |
|---|---|
| Mulheres trans | Trabalho remunerado, clientes, desenvolvimento profissional, reconhecimento de autoria e acesso a uma rede de cuidado. |
| Empresas | Serviços de inclusão, preparação de equipes, acesso a fornecedoras e projetos de marca. |
| Consumidores | Produtos, obras e serviços selecionados pela qualidade, com autoria reconhecida e contribuição social transparente. |
| Profissionais e organizações parceiras | Participação em uma rede com critérios de qualidade, encaminhamentos e projetos conjuntos. |
Conexão entre as frentes
Os serviços corporativos constituem a fonte principal de receita proposta.
O catálogo de fornecedoras e as coleções autorais acrescentam canais e geração direta de renda. A rede de cuidado recebe encaminhamentos e pode oferecer vagas financiadas por empresas ou pelo reinvestimento do negócio.
Cada frente exige uma operação própria. A implantação deve começar com uma oferta comercial e um público bem definidos, expandindo conforme a demanda e a capacidade de entrega forem demonstradas.
Rede de cuidado e profissionais de saúde
A rede deve oferecer cuidado integral, escolhido por cada pessoa, em diferentes momentos de vida. Atendimento clínico, procedimentos e apoio psicológico respondem a demandas individuais. A identidade trans não deve ser tratada como patologia.
| PROFISSIONAIS | RELAÇÃO COM O PROJETO |
|---|---|
| Médicos de família e clínicos gerais | Saúde cotidiana, prevenção, coordenação de encaminhamentos e porta de entrada para a rede. |
| Endocrinologistas | Acompanhamento de quem deseja ou já utiliza hormonização, conforme necessidades individuais. |
| Psicólogos e psiquiatras | Saúde mental, relações familiares, sofrimento ligado à discriminação e outras demandas individuais. |
| Psicanalistas | Possibilidade adicional de escuta, com avaliação criteriosa da formação e da experiência de atendimento. |
| Fonoaudiólogos | Voz e comunicação conforme os objetivos da pessoa. Especialidade relevante para expressão e segurança ao falar. |
| Nutricionistas | Alimentação, bem-estar e relação com o corpo. |
| Profissionais de educação física e personal trainers | Força, mobilidade, atividade física e bem-estar. |
| Dermatologistas | Saúde da pele e do cabelo e orientação sobre procedimentos desejados. |
| Cirurgiões plásticos, urologistas e ginecologistas com experiência pertinente | Avaliação e cuidado relacionados a procedimentos desejados e à anatomia de cada pessoa. |
| Fisioterapeutas | Reabilitação, cuidado após procedimentos e saúde pélvica, quando indicado. |
| Enfermeiros, farmacêuticos e profissionais de saúde sexual | Orientação, continuidade do cuidado e prevenção. |
| Dentistas | Saúde bucal e acesso a atendimento acolhedor. |
Rede de autonomia econômica e expressão pessoal
A rede reúne também profissionais capazes de apoiar documentação, organização financeira, desenvolvimento de carreira e expressão pessoal. Mulheres trans podem participar como usuárias, profissionais, empreendedoras, autoras e lideranças do projeto.
| PROFISSIONAIS | RELAÇÃO COM O PROJETO |
|---|---|
| Assistentes sociais | Conexão com serviços públicos, benefícios, moradia e redes de apoio. |
| Advogados e defensores públicos parceiros | Orientação sobre documentação, discriminação, trabalho e direitos. |
| Contadores e educadores financeiros | Formalização, precificação, organização financeira e gestão de negócios. |
| Recrutadores, professores e mentores de carreira | Qualificação, portfólio, acesso a oportunidades e desenvolvimento profissional. |
| Estilistas, modelistas e costureiras | Expressão pessoal, desenvolvimento de vestuário e geração de renda. |
| Cabeleireiros e maquiadores | Serviços de estética e expressão pessoal e oportunidades de atuação profissional. |
| Designers, artistas, fotógrafos e produtores culturais | Autoria das coleções, comunicação da marca e entregas comerciais. |
Funcionamento da rede de cuidado
A oferta inicial pode combinar atendimento particular, valores sociais e vagas financiadas por empresas. O negócio seleciona parceiros, facilita o acesso e acompanha a experiência das usuárias. Inicialmente, a assistência é prestada pelos parceiros, com suas responsabilidades profissionais, sem exigir a criação de uma clínica própria.
A seleção deve considerar competência, experiência pertinente, acolhimento de toda a equipe de atendimento e avaliação das próprias usuárias. A participação de um profissional na rede precisa estar associada a critérios verificáveis e a uma forma de receber e tratar relatos sobre o atendimento.
Participação e governança
Mulheres trans devem participar de forma remunerada da definição de prioridades, dos critérios de seleção e da liderança das entregas. A operação deve prever responsabilidades claras para gestão comercial, coordenação de projetos, seleção de parceiros e acompanhamento dos resultados sociais.
Serviços oferecidos às empresas
As ofertas atendem RH, liderança, compras, operações, produto e marketing. Cada contratação deve especificar entregas, responsáveis e acompanhamento, facilitando a avaliação do valor gerado.
| OFERTA | ENTREGA CONCRETA | COMPRADOR |
|---|---|---|
| Diagnóstico de inclusão trans | Barreiras em recrutamento, atendimento, benefícios, sistemas e cultura. | RH e liderança |
| Preparação para contratar | Revisão de vagas, seleção e capacitação de recrutadores e gestores. | RH |
| Permanência e crescimento | Integração, mentoria, acompanhamento e critérios de desenvolvimento. | RH e gestores |
| Treinamentos por função | Situações práticas para recepção, segurança, atendimento, RH e liderança. | RH e operações |
| Apoio à transição no trabalho | Planejamento individual, acordado com a profissional, de comunicação e ajustes internos. | RH |
| Políticas e procedimentos | Recomendações para cadastros, nome social, instalações, benefícios e resposta a discriminação. | RH, jurídico e operações |
| Compras de fornecedores trans | Seleção, preparação e conexão de negócios trans com compradores corporativos. | Compras |
| Pesquisa e desenho de serviços | Pesquisa remunerada com mulheres trans e recomendações para produtos e atendimento. | Produto e marketing |
| Comunicação e marca | Revisão de campanhas, linguagem, casting e representação. | Marketing |
| Offsites de liderança | Encontro facilitado com decisões, responsáveis e plano de execução. | Diretoria |
| Experiências culturais | Exposições, oficinas, publicações e produtos de artistas trans. | Marketing e comunicação interna |
| Programas patrocinados | Formação, cuidado ou desenvolvimento de negócios financiados por empresas. | Responsabilidade social |
Prioridades comerciais iniciais
As primeiras ofertas sugeridas são preparação para contratar e manter mulheres trans; compras de negócios liderados por mulheres trans; e projetos de marca, comunicação e criação com profissionais trans remuneradas.
Catálogo comercial e evolução para marketplace
A proposta é abrir as compras ao público geral e às empresas, mantendo a seleção de fornecedores alinhada ao propósito. A circulação entre negócios trans pode ser estimulada, mas não deve ser a premissa financeira principal da operação.
Oferta existente e validação da demanda
A viabilidade depende de compradores recorrentes para as categorias que a rede consegue reunir e entregar bem. Quantidade de cadastros, isoladamente, não comprova demanda comercial.
Operação inicial
- Selecionar uma primeira rede de fornecedoras, com portfólios e capacidade de entrega conhecidos;
- Apresentar serviços, produtos, preços ou formas de orçamento em um catálogo acessível;
- Prospectar compradores e acompanhar os primeiros pedidos manualmente;
- Definir, em cada contratação, quem vende, quem entrega, quem recebe e como a intermediação é remunerada;
- Acompanhar vendas, recompra, margem e renda efetivamente recebida pelas fornecedoras;
Design, audiovisual, fotografia, produção de eventos e produtos corporativos podem formar o primeiro recorte. Uma plataforma transacional própria deve ser considerada após comprovação de demanda recorrente e definição dos processos comerciais.
Recorte de participação
O catálogo pode começar com mulheres trans, preservando o foco do negócio social. A expansão para outras pessoas trans pode ocorrer em uma etapa posterior, com critérios explicitamente definidos.
Coleções autorais e construção da marca
Uma coleção criada por artistas trans pode gerar receita, reconhecer autoria e dar expressão cultural à marca. Há duas possibilidades de desenvolvimento, com exigências operacionais diferentes.
| CAMINHO | PROPOSTA | EXIGÊNCIA PRINCIPAL |
|---|---|---|
| Coleção artística aberta ao público | Camisetas, lenços, gravuras, pôsteres, objetos e publicações com obras de artistas trans. | Curadoria, qualidade de produção, licenciamento e canais de venda. |
| Vestuário desenvolvido para mulheres trans | Roupas construídas a partir de pesquisa de modelagem, caimento, tamanhos e preferências das usuárias. | Pesquisa com usuárias, provas e ajustes de modelagem. |
Primeira coleção sugerida
O caminho inicial recomendado é uma edição artística com poucas peças, oferecidas em pré-venda antes da produção de estoque. Uma possibilidade é reunir três artistas, cada uma com uma obra aplicada a dois produtos. O formato deve ser ajustado conforme capacidade de produção e resposta dos compradores.
A qualidade artística e o desejo de ter a peça devem sustentar a oferta. A história das criadoras e o destino dos recursos acrescentam significado. As artistas devem ter liberdade para trabalhar temas além da identidade trans.
Relação com as criadoras
- Remuneração pela criação e participação nas vendas, conforme acordo específico.
- Crédito de autoria nas peças e nos materiais de comunicação.
- Autorização de uso com produtos, canais, prazo e escopo definidos.
- Transparência sobre a parcela destinada à operação, às criadoras e ao reinvestimento social.
Conexão com as empresas
As coleções podem ser comercializadas diretamente ao consumidor e integrar projetos corporativos, presentes, exposições e experiências culturais. Compras empresariais podem ampliar a distribuição, desde que preservem autoria, qualidade e remuneração das criadoras.
Possível colaboração com Laerte
Laerte Coutinho pode ser convidada para uma obra autoral, curadoria de edição ou colaboração cultural. Sua trajetória como artista gráfica oferece uma conexão pertinente com essa proposta. O formato dependerá de interesse e condições acordadas com a artista.
Embaixadoras e parcerias de representação
O projeto deve diferenciar embaixadoras de comunicação, parceiras de criação e conselheiras. Uma mesma pessoa pode exercer mais de um papel, desde que o convite apresente uma função clara. Os nomes abaixo são possibilidades de abordagem; não representam parcerias confirmadas.
| NOME | AFINIDADE POSSÍVEL | CONVITE SUGERIDO |
|---|---|---|
| Laerte Coutinho | Arte gráfica, pensamento crítico e repertório cultural. | Coleção autoral, curadoria ou embaixadora cultural. |
| Maitê Schneider | Empregabilidade, empreendedorismo e relação com empresas. | Parceria estratégica ou conselho. |
| Neon Cunha | Arte, direitos e vínculo com iniciativas de acolhimento. | Conselho, curadoria ou relações comunitárias. |
| Erica Malunguinho | Arte, educação e criação de espaços culturais, como a Aparelha Luzia. | Direção cultural ou colaboração criativa. |
| Amara Moira | Literatura, educação e elaboração de narrativas. | Curadoria editorial, formação ou publicações. |
| Carol Marra | Moda, atuação e comunicação. | Campanha ou apresentação de coleção. |
| Liniker | Música e presença cultural ampla. | Colaboração artística ou campanha em fase posterior. |
Sequência inicial de aproximação
Maitê Schneider, Neon Cunha e Laerte Coutinho formam uma primeira sequência sugerida, por contribuições complementares: relação com empresas, construção social e expressão artística. Disponibilidade, interesse, condições comerciais e eventuais vínculos existentes precisam ser consultados.
Participação de lideranças locais
A seleção deve incluir mulheres trans com atuação local e menor exposição pública. Conhecimento do território, confiança e capacidade de execução são relevantes para construir o projeto e sustentar suas entregas.
Critérios para os convites
A escolha deve considerar afinidade com o propósito, contribuição concreta, relação com o público atendido e disponibilidade para o papel proposto. A representação pública deve estar conectada à participação de mulheres trans na operação e nas decisões do negócio.
Implantação e acompanhamento dos resultados
Um piloto de 90 dias pode testar a lógica de funcionamento, com São Paulo como hipótese inicial. Seu objetivo é verificar a relação entre demanda comercial, qualidade das entregas e benefícios percebidos pelas participantes.
| ETAPA | FUNCIONAMENTO PROPOSTO |
|---|---|
| Construção conjunta | Mulheres trans remuneradas ajudam a definir prioridades, critérios de participação e governança. |
| Oferta comercial | Contratação de um programa com entregas claras por um pequeno grupo de empresas. |
| Rede de fornecedoras | Conexão de uma primeira turma com trabalhos pagos e acompanhamento dos resultados. |
| Coleção autoral | Teste de pré-venda antes de produzir estoque. |
| Rede de cuidado | Encaminhamento a parceiros e facilitação de acesso, sem assumir inicialmente a operação de uma clínica. |
Lógica de receita e reinvestimento
As receitas podem vir de contratos de consultoria e treinamento, projetos de criação, gestão de programas patrocinados, intermediação comercial e venda de coleções. O formato de remuneração de cada frente deve ser definido de maneira transparente antes das contratações.
A receita sustenta a remuneração de quem entrega, os custos de coordenação e os demais custos operacionais. O resultado disponível permite reinvestimento em formação, acesso a cuidado e ampliação de oportunidades. O destino e os critérios desse reinvestimento devem ser definidos com participação das mulheres trans envolvidas.
O que acompanhar
- Renda efetivamente recebida pelas participantes e recorrência de clientes.
- Permanência no emprego e progressão profissional.
- Acesso aos atendimentos desejados e experiência das usuárias.
- Qualidade das entregas, recompra e satisfação dos compradores.
- Custo de operação e capacidade de remunerar justamente todas as pessoas envolvidas.
Decisões para a próxima etapa
Definir a oferta comercial prioritária, o recorte territorial, os critérios de participação e a equipe responsável. Em seguida, detalhar processos de contratação, remuneração, encaminhamento e acompanhamento. A forma jurídica e a estrutura financeira serão desenvolvidas após a validação da lógica operacional.
Referências
Fontes consultadas em 30 de setembro de 2026. Os dados e perfis apoiam as possibilidades apresentadas; as escolhas de operação e os convites são propostas para desenvolvimento do projeto.
- [1] UNAIDS. Vamos falar sobre a saúde integral das travestis e mulheres trans
- [2] Conselho Federal de Psicologia. Diretrizes para atendimento de pessoas trans travestis e não binárias
- [3] Conselho Federal de Fonoaudiologia. Voz e identidade
- [4] Círico Galvão e Casa Nova. Mapeamento do empreendedorismo transgênero no Brasil Navus 2024
- [5] TransEmpregos. Projetos de formação
- [6] Casa da Maitê. Atuação de Maitê Schneider
- [7] Pivô. Perfil de Neon Cunha
- [8] BEMTV. Autorretrato de Erica Malunguinho
- [9] Gshow. Carol Marra e sua atuação na moda
- [10] The Guardian. Perfil e entrevista com Liniker